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A GUERRA ENTRE ISRAEL E HAMAS: MAIS UMA FRENTE DE AGRAVAMENTO DA CRISE DE PODER DOS EUA

  • Foto do escritor: rafaelpupomaia
    rafaelpupomaia
  • 28 de jan. de 2024
  • 20 min de leitura

No dia 07 de outubro de 2023, o grupo terrorista Hamas lançou um ataque sem precedentes e multifacetado à Israel, atacando o país por terra, ar e mar. Na operação, o Hamas infiltrou mais de dois mil homens no território israelense, utilizando diversas brechas nas defesas que rodeiam a Faixa de Gaza e, em muitas situações, utilizando disfarces para adentrar ao país, além de uma barragem de foguetes em direção a Israel. Uma vez dentro do território israelense, os terroristas não estavam fardados, dificultando sua diferenciação de outros civis, o que facilitava a operação do grupo.

A operação do Hamas se mostrou exitosa ao infiltrar seus homens em território israelense de diferentes maneiras, resultando no massacre de civis israelenses e de outras nacionalidades. Tais ataques e escaramuças vitimaram cerca de 1,2 mil pessoas em Israel, em sua maioria civis. Os homens do Hamas não visaram postos policiais e militares apenas, o objetivo era causar o maior caos possível dentro de Israel, não importando a idade e gênero das vítimas. Além disso, os terroristas sequestraram cerca de 240 pessoas com intuito de obter uma vantagem contra Tel Aviv.

É necessário desde já separar o grupo terrorista Hamas do povo Palestino e da Autoridade Nacional Palestina (ANP), representada por Mahmoud Abbas, que condenou publicamente o massacre. O ataque não pode e não deve ser confundido com a vontade do povo palestino ou com a ANP. O grupo Hamas tomou o poder da Faixa de Gaza por vias democráticas em 2006, na única eleição ocorrida no território, mas não desistiu de seu braço armado e paramilitar. Em 2007, os cismas entre o Hamas e o Fatah (outro grupo político palestino) levaram a Faixa de Gaza a uma guerra civil, consolidando o poder do Hamas em Gaza e o Fatah controlando a ANP e os territórios palestinos na Cisjordânia, como mostra o mapa 01. Portanto, o que ocorrera em 07 de outubro não pode ser incumbido ao povo palestino, mas sim ao grupo terrorista Hamas.


Mapa 01: Israel e os territórios palestinos


Fonte: Barria; Mori (2023)[1]


Após o ataque, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, apoiado por seu Gabinete, declara guerra contra o Hamas. O próprio premiê alertou que a guerra não seria fácil e levaria tempo para que os objetivos estipulados fossem alcançados. Diversos países e seus chefes de Estado prestaram condolências a Israel. Alguns líderes europeus e a própria UE tomaram atitudes sobre o ataque, muitos listando o Hamas como organização terrorista. Os EUA, na figura de seu presidente, Joe Biden, expressou apoio incondicional a Israel. Segundo o próprio Biden em declaração oficial:

"A minha administração tem estado em contato estreito com a sua liderança [Israel] desde os primeiros momentos deste ataque, e vamos garantir que temos - você tem o que precisa para proteger o seu povo, para defender a sua nação. Durante décadas, garantimos a vantagem militar qualitativa de Israel. E no final desta semana, pedirei ao Congresso dos Estados Unidos um pacote de apoio sem precedentes para a defesa de Israel." (U.S. EMBASSY & CONSULATES IN ITALY, 2023 - Tradução do autor).

Não demorou muito para os EUA anunciarem que forneceriam a Tel Aviv equipamentos militares e munições. Além disso, o Secretário de Defesa dos EUA, Lloid Austin, afirmou que o Carrier Strike Group 12, liderado pelo porta-aviões USS Gerald R. Ford, seria enviado à região como força de dissuasão. Em novembro, o Congresso norte-americano aprovou um pacote de ajuda militar à Israel no valor de US$ 14,5 bilhões, dos quais US$ 4 bilhões seriam para reabastecer o vital sistema antimísseis Iron Dome. Por outro lado, o pacote de auxílio para a Ucrânia foi barrado pelos congressistas, mostrando sua insatisfação com os rumos da guerra e sinalizando um possível distanciamento de Kiev.

Em dezembro, devido a demora e desentendimentos com o poder legislativo, a administração Biden burlou o Congresso e aprovou duas vendas emergenciais de armas à Israel. A decisão foi anunciada pelo Secretário de Estado, Antony Blinken. A primeira venda emergencial ocorreu em 09 de dezembro, onde foi vendido cerca de 14 mil cartuchos de munição de tanque no valor de US$ 106 milhões. A segunda ocorreu vinte dias depois, onde o Estado norte-americano vendeu um pacote de equipamentos militares e matérias primas no valor de US$ 147,5 milhões.

Além da polarização política e da burocracia que impedem o auxílio rápido de um aliado, as vendas emergenciais apresentam outro perigo, pois são de equipamentos retirados diretamente do arsenal das Forças Armadas dos EUA, o que impedem uma reposição rápida dos artefatos vendidos. Lembrando que os EUA tiveram inúmeros desse tipo de apoio à Ucrânia, retirando diretamente de seu estoque diferentes tipos de equipamentos militares, como detalhado no artigo publicado anteriormente: O Apoio Econômico e Militar dos EUA e seus Aliados à Ucrânia e suas Consequências.

Após a operação do Hamas, Israel começou uma campanha de aviso para a população de Gaza deixar a região devido aos ataques eminentes das Forças de Defesa de Israel (FDI). Dias após o anúncio, Tel Aviv iniciou uma verdadeira blitz aérea contra as regiões palestinas, bombardeando alvos que a inteligência israelita acreditava estar ligada aos terroristas. No final de outubro, foi iniciada uma invasão terrestre do Exército israelense na Faixa de Gaza.

O grande problema dos bombardeios em massa de Israel é a grande densidade populacional existente na Faixa de Gaza. A Faixa possui cerca de 40 quilômetros de comprimento por 12 quilômetros de largura e apresenta uma população de pouco mais de 2 milhões de pessoas, o que representa 5.749 habitantes por km². Para efeito de comparação, a cidade francesa de Toulon, que corresponde quase a mesma área de Gaza, apresenta 1.214 habitantes por km². Quando Israel bombardeia uma área extremamente povoada como essa, os efeitos colaterais na população civil são enormes, trazendo muita destruição e mortes.

Israel foi duramente criticada pela comunidade internacional por seus consistentes bombardeios e suas consequências para a população palestina em geral, que sofre em decorrência dos atos do Hamas. No entanto, talvez essa fosse a estratégia do grupo. Sabendo que ganhar uma guerra no campo de batalha contra o Estado judeu era inviável, o Hamas percebeu que um ataque terrorista que provocasse uma guerra poderia atrair atenção internacional e, assim, utilizar de seu território densamente povoado como propaganda internacional contra os atos "genocidas" de Israel.

É possível analisar indícios dessa estratégia em documentos oficiais tanto da Inteligência de Israel quanto de Washington de que o Hamas e a Jihad Islâmica utilizaram o Hospital de Al-Shifa (o maior hospital de Gaza) para elaborar e operacionalizar operações militares, assim como o armazenamento de armas e equipamentos militares. O Hamas negou tal informação. No entanto, após a conquista da área e a entrada no complexo do hospital foi constatado uma rede de túneis e equipamentos militares.

É viável pensar que um dos quartéis-generais do Hamas pode ser localizado em um hospital, pois o custo político internacional e nacional para Tel Aviv de bombardear e invadir um hospital com civis sendo tratados é muito alto. Ou seja, é uma aposta sobre o governo israelense, pois os problemas que uma operação ou um bombardeamento causará em termos de perdas de vidas de civis e o constrangimento internacional, pensando até na perda do apoio de sua causa, é muito alto.

Corroborando tal visão, em janeiro a África do Sul protocolou ao superior Tribunal das Nações Unidas uma acusação formal de genocídio cometido por Israel contra os palestinos na Faixa de Gaza, ordenando a suspenção imediata das operações militares na região. A acusação atinge diretamente o cerne da identidade do Estado israelita. Netanyahu condenou o caso de genocídio, alegando mentiras e hipocrisia do país africano.

O preço máximo de uma guerra, infelizmente, é sempre pago pela população civil e na Faixa de Gaza não foi diferente. Houve uma tentativa de imigração em massa, mas o Egito está reticente em abrir a passagem de Rafah para os palestinos fugirem da guerra. Por outro lado, as operações militares de Israel apresentam um grande número de baixas civis devido a grande densidade populacional da região, com mais de 20 mil palestinos perdendo suas vidas até o momento (em sua maioria civis) e deslocando mais de 2 milhões de pessoas.

Para piorar o cenário, o bloqueio terrestre, marítimo e aéreo israelense da Faixa de Gaza faz com que pouca ajuda humanitária chegue ao território, resultando na deterioração da já precária condição de vida dos palestinos. Não obstante, a ajuda humanitária que entra no território palestino para alimentar a população, logo é sequestrada pelo Hamas para uso do grupo em seu esforço de guerra. Portanto, a população civil fica refém de uma situação onde ela é a principal vítima.

Há um questionamento crucial que remonta ao ataque do Hamas em 07 de outubro: como o grupo conseguiu, mesmo não sendo a principal força militar que ameaça Israel, construir e operacionalizar um ataque multifacetado a Tel Aviv, contando com diversos armamentos diferentes e uma infindável quantidade de munições? Muitos dos equipamentos eram produzidos dentro da própria Faixa de Gaza, como as fábricas de foguetes que o grupo possuía, confirmado pelo próprio Ali Baraka, chefe de Relações Nacionais do Hamas no Exterior. No entanto, isso pouco supre as questões do que foi visto nos ataques. Apenas no dia 07 de outubro, o grupo terrorista afirmou ter lançado mais de 5 mil foguetes contra Israel.

Fica claro que o Hamas teve apoio financeiro e militar para operacionalizar seus ataques contra Tel Aviv. Não há dúvidas que o principal aliado do grupo é o Irã, cujo regime já trava guerras por procurações (Proxy Wars) em diversos países, apoiando e financiando grupos rebeldes e milícias não só na Faixa de Gaza, mas no Iraque, Iêmen, Líbano e Síria. Fato é que Teerã busca sair do ostracismo e, mais uma vez, ser um player relevante e líder não apenas no Oriente Médio, mas da "Aliança Antiocidental" informal que surgiu através da Rússia e China.

Portanto, é bem possível imaginar que os armamentos utilizados no ataque do Hamas foram entregues pelo Irã. No entanto, além das armas apreendidas de fabricação iranianas, foram encontradas em grandes quantidades equipamentos militares norte-coreanos em posse do grupo, levantando suspeitas de uma venda direta por Pyongyang ou uma intermediação através do Irã para que essas armas chegassem ao Hamas. Outra questão que pode ser levantada é uma possível utilização das armas destinadas à Ucrânia que foram desviadas, uma vez que o próprio Pentágono e a UE afirmaram não ter rastreabilidade dos equipamentos enviados à Kiev. Tal ponto também foi levantado pela deputada norte-americana Marjorie Taylor Greene no Congresso dos EUA.

O papel do Irã é importante neste contexto, pois ele pode ser um player desestabilizador da região, levando a uma escalada sem precedentes da guerra. O Irã se preparou para este momento, financeiramente burlando as sanções ocidentais e militarmente comprando e desenvolvendo armas, ambos com o apoio da Rússia e da China.

Toda a cooperação econômica e militar faz com que o regime de Teerã sobreviva, mas também que dependa silenciosamente dos interesses sino-russos, com um apelo maior à Moscou. Não por acaso, em janeiro de 2023 foi finalizada a ligação do sistema de mensagens financeiras entre os dois países. Dessa forma, o SEPAM iraniano foi interligado ao SPFS russo, permitindo que o Irã fosse religado ao comércio internacional com os países que utilizam o sistema russo, como Rússia, Índia, China, dentre outros. Tal tema foi abordado no artigo: Dificuldades Financeiras Internacionais Devido à Guerra (abril de 2022).

Interessante notar o posicionamento do Kremlin em relação ao conflito no Oriente Médio. O presidente russo, Vladimir Putin, permaneceu em silêncio por três dias após os ataques de 07 de outubro, apesar de quatro cidadãos russos terem sido mortos e outros terem desaparecido, causando um constrangimento perante a sua relação com Tel Aviv. Quando Putin se pronunciou, ele lamentou o massacre de civis e condenou o erro estratégico dos EUA no Oriente Médio, principalmente por não olhar ambos os lados. Moscou se recusou a considerar o Hamas como organização terrorista, como foi feito por diversas nações. Além disso, a Rússia afirmou que segue em contato com ambos os lados do conflito.

A posição russa intriga, uma vez que ela própria sofreu casos de radicalismo e terrorismo, basta lembrar o atentado ao teatro de Dubrovka em 2002 ou o massacre a escola em Beslan em 2004. No entanto, se alinharmos a atual posição russa com a ideia da estratégia geopolítica do país tratado no artigo: Conclusões Prévias sobre a Estratégia Geopolítica Russa na Invasão da Ucrânia, tal posicionamento tem um intuito geopolítico macro.

A Rússia e o Irã tem estreitado seu relacionamento nos últimos anos em questões chave, como cooperações econômicas, militares e financeiras. A Rússia, por meio do SPFS, permitiu que a economia do Irã se abrisse aos países que aderiram ao sistema de mensagens financeiras de Moscou. O comércio bilateral entre ambos os países cresceu para mais de US$ 4 bilhões e o maior investidor na economia iraniana é a Rússia, com um investimento em 2021 de US$ 2,7 bilhões. Tais números mostram como Moscou cooptou Teerã para sua órbita de influência e, obviamente, criou uma dependência do Irã em relação a Rússia.

Tal relacionamento explica a decisão de Putin sobre conflito no Oriente Médio, evidenciando que o Irã está sob sua proteção internacional, sendo um valioso aliado na região, assim como Israel é para os EUA. Além do Irã, a Síria se mostra um leal parceiro da Rússia, uma vez que foi a intervenção russa no país que impediu que o regime de Bashar Al-Assad caísse. Além da base naval de Tartus no Mediterrâneo, operada desde a antiga URSS, a Rússia também opera as bases aéreas de Hmeimim e de al-Jarrah, aumentando sua presença militar no Oriente Médio.

Dessa forma, o Irã, através de suas milícias iraquianas e o apoio sírio, podem ter fornecidos equipamentos e armas ao Hamas. Não obstante, foi a ligação com o braço político do Hamas que permitiu que a Rússia libertasse seus reféns.

Sendo assim, é muito difícil uma atitude macro de Teerã ocorrer sem a aprovação ou complacência russa, uma vez que a dependência de Moscou é enorme. Portanto, um caos no Oriente Médio que permitisse o isolamento e o abandono da Ucrânia em decorrêcia de um parceiro mais estratégico para Washington beneficiaria a Rússia. Além disso, tal ato expõe ao Sistema Internacional um paulatino abandono de um parceiro próximo dos EUA, em um momento de extrema necessidade. Dado o contexto acima, é muito difícil dissociar as ações iranianas das vontades de Moscou.

A guerra no Oriente Médio começa a escalar no final de outubro de 2023, com o Iêmen, controlado em parte pelos rebeldes Houtis, lançando mísseis e drones em direção à Israel e se envolvendo diretamente na guerra. A postura do grupo rebelde é que suas ações agressivas não cessarão até Israel parar o ataque à Faixa de Gaza. Não obstante, os Houtis começaram a atacar navios comerciais que navegavam pelo Mar Vermelho, atrapalhando o comércio global e trazendo desconfiança para as empresas que operam na região.

Os ataques Houtis aos navios de carga que transitam na região começou a causar diversos danos à logística global e, por consequência, para economia mundial, uma vez que esta é uma rota marítima vital para o comércio Leste-Oeste. Muitas operadoras e empresas do ramo começaram a evitar a região, com os custos operacionais aumentando drasticamente.

Para mensurar tal impacto, o custo do transporte de carga na região do Mar Vermelho e do Canal de Suez aumentou mais de 300%. Isto é, um contêiner enviado da China para Europa teve um aumento real no preço de 310% em relação a novembro de 2023. É importante lembrar que através do Canal de Suez são movimentados cerca de 12% do comércio global.

A fim de evitar a região, as operadoras logísticas estão desviando sua rota para contornar a África através do Cabo da Boa Esperança, acrescendo cerca de 6 mil km a mais nas viagens que ligam a Ásia à Europa, como indicado no Mapa 02. O redirecionamento causa um aumento vertiginoso nos custos operacionais das empresas, que estão gastando cerca de US$ 01 milhão apenas com combustível extra, sem contar seguro, mão de obra e outros custos.

O aumento de preços da logística de produtos e matérias-primas pode levar a um novo choque inflacionário nas economias no longo prazo. As grandes economias estão adotando taxas mais elevadas de juros para tentar conter o recorrente aumento de preços, o que acarreta uma pressão sobre as empresas e as famílias em relação a atividade econômica, corroborando os indícios de recessão nos EUA, UE e Reino Unido.


Mapa 02: Rota alternativa de carga do Mar Vermelho



Fonte: Partington (2024)[2]


Os rebeldes Houtis são um grupo rebelde Xiita que travaram uma guerra civil no Iêmen em busca de controlar a região norte do país. O grupo é apoiado abertamente pelo Irã e funciona como uma de suas milícias de Proxy War. Dessa forma, é difícil separar os ataques dos Houtis da vontade iraniana.

Com intuito de evitar uma expansão da guerra no Oriente Médio e um cenário econômico caótico globalmente, os EUA e o Reino Unido realizaram bombardeios contra diversos alvos no Iêmen controlado pelos Houtis, no dia 11 de janeiro. A demonstração de força ocidental não abalou o ímpeto do grupo rebelde e pode ter sido um catalisador para o aumento das tensões na região. Como o grupo iemenita continuou atacando os navios, Washington e Londres bombardearam mais uma vez alvos Houtis, a fim de incapacitá-los.

Segundo Washington, os ataques foram de caráter defensivo, com o objetivo de manter o livre comércio internacional fluindo, além de visar a redução das altas tensões na região. O Comando Central dos EUA (CENTCOM - em inglês), afirmou que a operação foi conduzida pelas forças norte americanas e britânicas, com o apoio da Holanda, Austrália, Bahrein e Canadá.

Por sua vez, a Rússia, que havia criticado os ataques Houtis aos navios mercantes no Mar Vermelho, também condenou os ataques dos EUA e Reino Unido contra o Iêmen, afirmando que tal ação unilateral é um elemento de desestabilização de uma região que está em profunda crise.

No dia 15 de janeiro o Irã lançou mísseis balísticos contra a Síria e a região curda do Iraque, ambos os ataques registraram vítimas civis. Segundo o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC - em inglês), os ataques ocorreram contra um quartel-general israelense no Iraque e contra alvos do Estado Islâmico (EI) na Síria, visando manter sua segurança territorial. Tal ação marcou a escalada das tensões no Oriente Médio. O Iraque alegou que o ataque foi uma clara violação da soberania e integridade territorial do país, assim como houve condenação do lado curdo. Os EUA também condenaram o ataque de Teerã.

No dia seguinte, o Irã conduziu ataques com mísseis em território paquistanês, tendo como alvo a complexa província do Baluchistão e o grupo terrorista Jaish al-Adl. O Paquistão condenou os ataques não provocados do Irã como ilegais e convocou o principal diplomata de Teerã em Islamabad. Os ataques iranianos são uma represália ao atentado terrorista que o país sofreu em 03 de janeiro na cidade de Kerman, que vitimou mais de 80 pessoas.

No dia 18 de janeiro, o Paquistão retaliou o ataque de Teerã, lançando mísseis em território iraniano, visando grupos separatistas na província de Sistão-Baluchistão. Em ambos os ataques ocorreram baixas civis. Por mais que as tensões entre Irã e Paquistão tenham aumentado drasticamente, houve o consenso de Teerã e Islamabad de não escalar os ataques.

As incursões iranianas em três frentes distintas na mesma semana podem ser entendidas de diversas formas. Claramente, os ataques foram uma demonstração de força militar de Teerã na região. Atualmente ocorre a guerra em Gaza, onde o Irã apoia os grupos terroristas contra Israel, há os ataques dos EUA e Reino Unido contra os rebeldes Houtis do Iêmen e o caos político no Iraque, onde diversas facções disputam poder. Não obstante, existem tensões fronteiriças com o Paquistão e relações ambíguas com a Arábia Saudita. Todo esse cenário é somado às sanções ocidentais contra o Irã.

Dado o contexto acima, o Irã busca retomar seu papel proeminente no Oriente Médio e ser um dos líderes do novo eixo antiocidental que se formou no mundo. A demonstração de força ocorre num momento onde os EUA estão bombardeando seus aliados Houtis e Israel emprega uma guerra contra os grupos terroristas apoiados por Teerã. Além disso, em dezembro, Israel afirmou ter eliminado em Damasco Sayyed Razi Mousavi, um importante general do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã.

Dessa forma, é possível entender que o Irã atacou o Iraque e a Síria como um alerta aos EUA e Israel. Os ataques à Síria podem ser analisado como uma mensagem clara a Tel Aviv, pois Teerã demonstra que seus mísseis balísticos tem a capacidade operacional de atingirem Israel. Por outro lado, o ataque ao Paquistão visando os grupos terroristas também denota uma ataque contra um aliado próximo de Washington na região, como explicado no artigo: Paquistão e os Interesses Ocultos que o Cercam. Portanto, em um momento de pressão e tensões no Oriente Médio, o Irã mostra sua força militar e indica que pode haver uma escalada nos conflitos na região.

O objetivo do texto não é detalhar os acontecimentos ou a guerra em si, mas promover uma reflexão ampla em relação ao conflito no Oriente Médio. Seguindo a linha cronológica, inclusive dos próprios artigos do blog, é possível analisar que a Guerra da Ucrânia é uma roupagem para uma estratégia macro estabelecida por Moscou.

Como citado no último artigo publicado: A Estratégia Geopolítica Russa e suas Reverberações na Europa, África e Oriente Médio, após a tentativa de golpe falho na Rússia em junho de 2023, houve um aumento dos acontecimentos geopolíticos: golpes de Estado na África recrudesceram com um viés antiocidental, operações militares no Cáucaso eclodiram, eleições na Europa catapultaram ao poder líderes nacionalistas que cessaram o apoio à Ucrânia, convulsões políticas internas irromperam em países europeus, houve o aumento das tensões militares na América do Sul, dentre outros fatos.

Todo esse cenário se somou à Guerra entre Israel e os grupos terroristas na Faixa de Gaza. A iniciativa de iniciar uma guerra com o principal parceiro dos EUA no Oriente Médio, uma região vital para os norte-americanos, os coloca em um sério dilema.

Devido a mais um parceiro dos EUA entrar numa guerra, o país, que já está auxiliando a Ucrânia há quase dois anos, terá que escolher qual parceiro priorizar. Devido a desaceleração econômica mundial e problemas econômicos internos, muitos provenientes da própria guerra na Ucrânia e de seu auxílio desenfreado, o poder legislativo dos EUA está reticente em enviar mais ajuda militar à Kiev, focando seu principal auxílio à Tel Aviv.

No entanto, isto traz um dilema aos EUA. A guerra na Ucrânia já custou mais de US$ 44 bilhões aos cofres públicos dos EUA e a continuidade de sua ajuda está em jogo devido a contestações do poder legislativo, uma vez que a guerra não tem um fim claro a frente e a Ucrânia fez poucos avanços militares até o momento. Não obstante, em novembro de 2023, o Congresso aprovou ajuda militar à Israel e barrou o auxílio à Ucrânia, trazendo complicações a administração Biden.

Em declaração feita em janeiro de 2024, o porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Matthew Miller, afirmou que o auxílio militar a Ucrânia pode acabar por diminuir drasticamente neste ano, pois o intuito é construir um país independente e com capacidade industrial-militar para suprir suas próprias demandas. Reiterou que os EUA continuariam a apoiá-los o tempo que fosse necessário, mas não como fizeram em 2022 e 2023.

No mesmo mês, o porta-voz de segurança nacional da Casa Branca, John Kirby, afirmou que a entrega de suprimentos militares para a Ucrânia foi temporariamente interrompida. O último pacote de auxílio militar à Kiev foi aprovado em dezembro de 2023 no valor de US$ 250 milhões, através da Autoridade de Retirada Presidencial, onde Biden pode entregar armas diretamente a aliados sem aprovação do Congresso. Isso ocorre no momento em que a administração Biden vem tentando negociar a aprovação de mais ajuda militar para seu aliado europeu.

A guerra na Ucrânia foi viabilizada e pensada com apoio militar e financeiro dos EUA. Washington prometeu apoio irrestrito à Kiev até o final do conflito. Desde o início da guerra, o blog defende que a Rússia recuou no início do conflito de Kiev e outros lugares de maneira voluntária, com intuito de travar uma guerra de desgaste com a Ucrânia, sendo parte da estratégia macro do Kremlin.

Com a diminuição do auxílio militar e o paulatino abandono de seu aliado ucraniano em detrimento de Israel, os EUA mostram ao Sistema Internacional que não estão honrando com sua promessa e põe em xeque a palavra de Washington a seus parceiros. Por exemplo, no caso de Taiwan, olhando o cenário atual e um possível confronto com a China, será que os EUA o defenderão e o auxiliarão? Valeria a pena uma guerra para, no futuro, seu principal parceiro o abandonar? Não à toa, alguns países europeus estão mudando sua visão e seu discurso sobre a guerra na Ucrânia.

Concomitantemente, a guerra na Ucrânia e a guerra entre Israel e Hamas seguem sendo empecilhos e problemas para os EUA. O aumento da escalada da guerra no Oriente Médio pode ser um problema maior para Washington e seus aliados. Ao mesmo tempo, as tensões na Ásia ficam mais latentes, sendo outro potencial risco de conflito, ou seja, mais uma frente para os EUA intervir. Todo esse contexto ocorre no ano eleitoral para Washington, uma das eleições mais importantes que o país já teve.

Portanto, é possível avaliar a influência russa nestes eventos geopolíticos citados acima, desde golpes na África às convulsões econômicas e sociais na Europa, somado a guerra no Oriente Médio. Todo esse cenário macro criam microfissões regionais e simultâneas, causando problemas instantâneos na liderança dos EUA no Sistema Internacional. Talvez a atuação da Rússia nesses cenários não seja de forma direta, mas ocorrem de maneira nítida indiretamente, uma vez que tais acontecimentos beneficiam o Kremlin e/ou prejudicam o status quo da atual ordem mundial.




Notas de Rodapé:


[1] Fonte: BARRIA, Cecilia; MORI, Letícia. Como surgiu rivalidade entre Hamas e Fatah e como ela afeta a causa palestina. 2023. BBC. Disponível em: 2023. Acesso em: 05 nov. 2023.

[2] Fonte: PARTINGTON, Richard. What is the Red Sea crisis, and what does it mean for global trade? 2024. The Guardian. Disponível em: https://www.theguardian.com/world/2024/jan/03/what-is-the-red-sea-crisis-and-what-does-it-mean-for-global-trade. Acesso em: 18 jan. 2024.



Referência:


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